O que colocar no currículo (e o que NÃO colocar)

Por Equipe Karreify · Revisado em 2026

Um currículo bem feito não é aquele que tem mais informação — é aquele que tem a informação certa, na ordem certa, fácil de ler em poucos segundos. A maioria dos candidatos brasileiros ainda carrega vícios de modelos antigos (RG, foto 3x4, estado civil) que hoje só ocupam espaço e, em alguns casos, atrapalham. Neste guia você vai ver, seção por seção, o que é obrigatório, o que é opcional e o que já está ultrapassado — com exemplos concretos para aplicar hoje mesmo.

Resumo rápido

  • O cabeçalho precisa só de nome, cargo pretendido, telefone/WhatsApp, e-mail profissional, cidade/estado e LinkedIn — endereço completo e 'Curriculum Vitae' no topo saem.
  • Na experiência, troque descrição de rotina por resultados com números: 'aumentei vendas em 18%' vale mais do que 'responsável pelas vendas'.
  • RG, CPF, estado civil, número de filhos e data de nascimento não entram no currículo — só são necessários na admissão e abrem espaço para viés.
  • Foto só quando a vaga pedir; quando usar, deve ser profissional e atual, nunca uma 3x4 de documento ou selfie.
  • Nunca minta sobre idioma, cargos ou datas — é descoberto na entrevista ou checagem de referências e elimina o candidato.
  • Mantenha o currículo em 1 página (2 no máximo), sem erros de português, pretensão salarial ou hobbies irrelevantes.

Cabeçalho: o mínimo que o recrutador precisa para te chamar

O topo do currículo existe para responder a uma única pergunta: como o recrutador entra em contato com você. Tudo o que não ajuda nisso deveria sair daí.

Coloque seu nome completo em destaque (sem 'Curriculum Vitae' escrito em cima — isso é redundante e parece modelo dos anos 2000). Logo abaixo, o cargo ou área que você busca, como 'Analista de Marketing' ou 'Desenvolvedor Back-end'. Isso orienta a leitura desde o primeiro segundo.

Os dados de contato precisam ser apenas três: telefone com DDD (de preferência com WhatsApp), e-mail profissional e cidade/estado. Não é mais necessário colocar o endereço completo com rua e CEP — além de inútil para o processo, é um risco de privacidade. Basta 'São Paulo, SP' ou 'Recife, PE (disponível para remoto)'.

Atenção ao e-mail: 'gatinha_2003@' ou 'destruidor_dos_mundos@' queima sua imagem antes mesmo da entrevista. Crie um e-mail no formato nome.sobrenome. Se você tem LinkedIn atualizado, inclua o link curto e personalizado (ex: linkedin.com/in/seunome). Portfólio ou GitHub também entram aqui, quando relevantes para a vaga.

  • Incluir: nome completo, cargo pretendido, telefone/WhatsApp, e-mail profissional, cidade/estado, LinkedIn
  • Opcional (se relevante): portfólio, GitHub, Behance, site pessoal
  • Remover: 'Curriculum Vitae' no topo, endereço completo com rua e CEP, e-mail informal ou antigo

Resumo profissional: a vitrine que decide se vão continuar lendo

Logo abaixo do cabeçalho vem o resumo profissional (também chamado de objetivo ou perfil) — de 3 a 5 linhas que sintetizam quem você é profissionalmente. Recrutadores leem essa parte primeiro e, muitas vezes, decidem nela se vale a pena continuar.

Esqueça frases vazias do tipo 'profissional proativo, dinâmico e que busca novos desafios'. Isso não diz nada e está em milhares de currículos idênticos. O resumo bom é específico e traz números ou contexto real.

Exemplo fraco: 'Busco uma oportunidade para crescer e aplicar meus conhecimentos.' Exemplo forte: 'Analista de RH com 4 anos de experiência em recrutamento e seleção de perfis de tecnologia. Reduzi o tempo médio de contratação de 45 para 28 dias na última empresa. Busco atuar com employer branding em empresa de médio porte.'

Para quem está começando ou mudando de área, o resumo deve destacar formação, projetos e habilidades transferíveis: 'Recém-formado em Análise de Sistemas, com projetos práticos em Python e SQL desenvolvidos durante o curso. Em transição da área administrativa para dados, com base sólida em Excel avançado e organização de processos.'

  • Incluir: cargo/área, anos de experiência, 1 a 2 conquistas concretas, objetivo claro
  • Evitar: adjetivos genéricos sem prova ('proativo', 'dinâmico', 'comprometido')
  • Tamanho ideal: 3 a 5 linhas, em texto corrido

Experiência profissional: foque em resultados, não em rotina

Essa é a seção mais importante do currículo e onde mais se erra. O equívoco clássico é listar as tarefas do cargo como se fosse uma descrição de função do RH: 'responsável por atender clientes, organizar planilhas e emitir relatórios'. Isso só descreve o que qualquer pessoa naquele cargo faria.

O que diferencia você são os resultados. Sempre que possível, transforme atividade em conquista usando números. Em vez de 'responsável pelas vendas', escreva 'superei a meta de vendas em 18% por dois trimestres consecutivos, gerando R$ 320 mil em receita'. Mesmo em funções sem números óbvios, há como mostrar impacto: 'reorganizei o fluxo de atendimento e reduzi o tempo de resposta de 2 dias para 4 horas'.

Ordene as experiências da mais recente para a mais antiga. Para cada uma, informe: cargo, nome da empresa, período (mês/ano de início e fim) e de 2 a 4 bullets de realizações. Use verbos de ação no início de cada bullet: 'implementei', 'liderei', 'reduzi', 'aumentei', 'criei', 'negociei'.

Você não precisa listar todos os empregos da vida. Experiências de mais de 10 a 15 anos atrás, ou totalmente sem relação com a vaga (o estágio de office boy aos 18 quando você hoje é gerente), podem ser resumidas ou omitidas. Já lacunas grandes inexplicadas chamam atenção — se houve um período fora do mercado por motivo legítimo (cuidado familiar, estudo, saúde), é melhor mencionar brevemente do que deixar um buraco misterioso.

  • Incluir: cargo, empresa, período, e bullets de resultados com números sempre que possível
  • Começar cada bullet com verbo de ação no passado
  • Evitar: copiar a descrição de cargo do RH, listar só rotina, exagerar funções que você não exerceu
  • Pode omitir: experiências muito antigas ou irrelevantes para a vaga atual

Formação, cursos e habilidades: o que realmente conta

Na formação acadêmica, liste o curso, a instituição e o ano de conclusão (ou 'em andamento' com previsão de término). Não é preciso colocar o histórico do ensino médio se você já tem ensino superior — isso é informação que ninguém vai ler.

Cursos complementares e certificações entram quando agregam valor à vaga. Uma certificação em gestão de projetos, um curso de Excel avançado, um inglês comprovado por certificado — tudo isso conta. Já 'curso de oratória de 4 horas em 2009' ou dezenas de mini-cursos de 2 horas só poluem. Selecione os 4 a 6 mais relevantes e recentes.

Na seção de habilidades, separe técnicas (hard skills) de comportamentais. As técnicas devem ser específicas e, idealmente, com nível: 'Excel avançado (tabelas dinâmicas, PROCV)', 'SQL intermediário', 'Power BI'. Para idiomas, seja honesto com o nível real — 'inglês intermediário (leitura e escrita)' é melhor do que 'inglês fluente' que desmorona na entrevista.

Cuidado com as soft skills genéricas isoladas. 'Trabalho em equipe' e 'comunicação' aparecem em quase todo currículo e não provam nada sozinhas. Se forem importantes para a vaga, demonstre-as nos resultados da experiência, não numa lista solta de palavras.

  • Incluir: formação principal, certificações relevantes, hard skills com nível, idiomas com nível real
  • Opcional: cursos complementares recentes e ligados à vaga (escolha de 4 a 6)
  • Evitar: histórico do ensino médio (se tem superior), lista de mini-cursos antigos, soft skills genéricas sem contexto

O que está ultrapassado: RG, CPF, estado civil e foto

Aqui mora a maior confusão. Modelos antigos de currículo no Brasil pediam um bloco de 'dados pessoais' com RG, CPF, data de nascimento, estado civil, nacionalidade e número de filhos. Hoje, quase nada disso deve estar no currículo.

RG e CPF não entram. Esses documentos só são necessários depois que você for contratado, na fase de admissão. Colocá-los no currículo é desnecessário e expõe dados sensíveis a qualquer pessoa que receba o arquivo — um risco real de uso indevido.

Estado civil, número de filhos, idade e data de nascimento também devem sair. Eles não medem competência e, na prática, abrem espaço para vieses inconscientes na triagem (uma mãe de filhos pequenos, alguém mais velho ou mais novo do que o 'esperado'). Omitir essas informações protege você e mantém o foco no que importa: sua capacidade de fazer o trabalho.

A foto é o ponto mais debatido. No Brasil ainda há empresas que pedem, e em algumas áreas (atendimento presencial, moda) ela pode ser solicitada. Mas a tendência de recrutamento mais profissional é não usar foto, justamente para reduzir discriminação por aparência, idade, gênero ou etnia. Regra prática: só inclua foto se a vaga pedir explicitamente; e, se incluir, que seja uma foto profissional, com fundo neutro e roupa adequada — nunca uma selfie ou foto de rede social. A foto 3x4 de documento, com cara séria de cartório, definitivamente ficou no passado.

  • Remover sempre: RG, CPF, título de eleitor, número de filhos
  • Remover (recomendado): estado civil, data de nascimento/idade, nacionalidade
  • Foto: só se a vaga pedir; quando usar, foto profissional e atual, nunca 3x4 de documento ou selfie

Informações que prejudicam (e você nem percebe)

Além do que é ultrapassado, há informações que ativamente trabalham contra você. A primeira é a pretensão salarial fora de contexto: não coloque salário no currículo a menos que a vaga peça expressamente. Um valor escrito ali pode te eliminar por estar alto demais ou te subvalorizar por estar baixo demais, antes de qualquer conversa.

Erros de português e formatação descuidada derrubam candidatos qualificados. 'Esperiência', 'analista financieiro', datas que não batem, fontes diferentes misturadas, parágrafos desalinhados — tudo isso passa a impressão de falta de atenção. Releia em voz alta e peça para outra pessoa revisar antes de enviar.

Mentiras e exageros são bomba-relógio. Inflar um 'inglês básico' para 'fluente', inventar uma responsabilidade que você não teve ou estender datas para esconder uma lacuna costuma ser descoberto na entrevista técnica ou na checagem de referências — e aí a vaga está perdida de vez. É melhor um currículo honesto e bem posicionado.

Cuidado também com excessos: motivos de saída dos empregos anteriores ('saí porque o chefe era ruim'), opiniões políticas ou religiosas, hobbies irrelevantes ('gosto de assistir séries') e currículos de 4 ou 5 páginas. Para a maioria dos profissionais, o ideal é uma página; duas no máximo para carreiras longas. Se o recrutador precisa caçar a informação importante no meio do ruído, ela perde força.

  • Não coloque pretensão salarial, a não ser que a vaga peça
  • Revise erros de português e padronize a formatação (uma fonte, alinhamento consistente)
  • Nunca minta sobre nível de idioma, cargos ou datas — é descoberto e elimina você
  • Corte motivos de demissão, opiniões pessoais e hobbies irrelevantes; mantenha 1 a 2 páginas

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Perguntas frequentes

Precisa colocar RG e CPF no currículo?+

Não. RG e CPF só são exigidos na fase de admissão, depois que você é aprovado. Colocá-los no currículo é desnecessário e expõe dados sensíveis a qualquer pessoa que receba o arquivo, criando risco de uso indevido. Deixe esses documentos para o momento da contratação.

Devo colocar foto no currículo?+

Em geral, não — a tendência do recrutamento profissional é evitar foto para reduzir discriminação por aparência, idade ou gênero. Só inclua se a vaga pedir explicitamente ou se for uma área que exige (como atendimento presencial ou moda). Quando usar, escolha uma foto profissional, atual e com fundo neutro, nunca uma 3x4 de documento ou selfie de rede social.

Qual o tamanho ideal de um currículo?+

Uma página é o ideal para a maioria dos profissionais. Duas páginas são aceitáveis para quem tem carreira longa e muita experiência relevante. Currículos de três páginas ou mais costumam diluir a informação importante e cansam o recrutador, que passa poucos segundos na primeira leitura.

Preciso colocar estado civil e idade no currículo?+

Não é recomendado. Estado civil, idade, data de nascimento e número de filhos não medem sua competência e podem ativar vieses na triagem. Omitir essas informações mantém o foco na sua capacidade de fazer o trabalho e é totalmente aceito no mercado atual.

Devo informar a pretensão salarial no currículo?+

Só se a vaga pedir expressamente. Colocar um valor por conta própria pode te eliminar por parecer caro demais ou te subvalorizar por estar abaixo do que a empresa pagaria. Sem o pedido, deixe a negociação de salário para a entrevista, quando você terá mais contexto.

O que escrever no objetivo do currículo?+

Escreva um resumo profissional de 3 a 5 linhas com sua área, anos de experiência, uma ou duas conquistas concretas e o objetivo claro. Evite frases genéricas como 'busco novos desafios e crescimento'. Prefira algo específico, por exemplo: 'Analista de RH com 4 anos em recrutamento de tecnologia; reduzi o tempo de contratação de 45 para 28 dias. Busco atuar com employer branding.'

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